textimagens - rosaura soligo
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
domingo, 25 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
clara chora a saudade do seu amor
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leonardo soares |
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
Liberdade
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
Poema de Carlos Marighella, escrito no Presídio Especial, em São Paulo.
[Marighella foi morto a tiros por agentes do DOPS
(comandados por pelo delegado Fleury, um dos maiores carrascos da ditadura militar)
na noite de 4 de novembro de 1969 em uma emboscada na cidade de São Paulo]
(comandados por pelo delegado Fleury, um dos maiores carrascos da ditadura militar)
na noite de 4 de novembro de 1969 em uma emboscada na cidade de São Paulo]
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
tentativas inúteis
mayumi morena |
e assim, que nem
o maneco
dos barros,
dos barros,
vamos tropeçando
nas inúteis tentativas
de fotografar
o silêncio
das aldeias mortas,
da paisagem velha
das aldeias mortas,
da paisagem velha
desabando
sobre as casas,
do perfume
de jasmim
sobre as casas,
do perfume
de jasmim
nos beirais,
das visões
da madrugada,
do olho fundo
dos mendigos,
das visões
da madrugada,
do olho fundo
dos mendigos,
das putas
no fim da noite,
no fim da noite,
dos bêbados desatinados,
dos carregadores
de migalhas
dos carregadores
de migalhas
e do perdão
para zerar as culpas.
domingo, 20 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
quanto mais eu ando mais vejo estrada
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http://www.youtube.com/watch?v=xC0QdX8i1IQ leonardo soares |
no fim do mundo
há um tesouro
quem for primeiro
carrega o ouro
a vida passa
no meu cigarro
quem tem
mais pressa
que arranje
um carro
prá andar ligeiro,
sem ter porque
sem ter prá onde,
pois é, prá quê?
[Sidney Miller]
domingo, 13 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
um dia em que se possa não saber
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leonardo soares |
dai-me um dia branco, um mar de beladona
um movimento
inteiro, unido, adormecido
como um só momento.
eu quero caminhar como quem dorme
entre países sem nome que flutuam.
imagens tão mudas
que ao olhá-las me pareça
que fechei os olhos.
um dia em que se possa não saber.
[Sophia de Mello Breyner Andresen]
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
disilimina
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leonardo soares |
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos. Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve/que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro. [Manoel de Barros]
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
cidade tragada
olhos noturnos miram o nem ver, guiam os passos mal desenhados por caminhos escuros, entre becos e vielas brilha o vestido vermelho da prostituta, o rosto insone, boca pintada de cor igual, olhar embriagado do último boêmio da cidade mergulhada na penumbra da madrugada fria e gelada, garoa cinza alarga a solidão, selva de concreto imersa em caos.
olha de viés procura disco voador no céu escondido do inverno, saci fantasiado de gente, girando redemoinho de vento de chuva, infinito iluminado de luz do sol que insiste em clarear o rosto sujo do mendigo que ninguém vê, amanhecido no passeio de passos apressados, invisível assombração dobrando a encruzilhada, ventando a saia rodada da mulher do guarda.
o boteco irradia luz, Fagner na vitrola, reluz, sobressai, cativa o passante.
adentra o salão, achega ao balcão quase negro, monótono tristonho, recanto sem luz, procura na prateleira a garrafa de invisível, a dose de disco voador, o trago ensacizado, o brinde assombrado, cachaça balança saia, beijo na boca bêbada vermelha da puta gostosa do centro da cidade. [leonardo soares]
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leonardo soares |
terça-feira, 25 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
ao jeito que namorasse
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leonardo soares |
falava com as árvores e com as águas
ao jeito que namorasse.
todos os dias ele arrumava as tardes
para os lírios dormirem.
usava um velho regador para molhar todas as manhãs
os rios e as árvores da beira.
dizia que era abençoado pelas rãs e pelos pássaros.
a gente acreditava por alto.
assistira certa vez um caracol vegetar-se na pedra.
mas não levou susto.
... era muito encontrável isso naquele tempo.
até pedra criava rabo!
a natureza era inocente.
[Manoel de Barros]
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
sábado, 24 de setembro de 2011
lá em paraitinga
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leonardo soares |
A noite escura sem lua e estrela ventava um vento frio no chão vermelho do caminho que dá lá na capela do pinhal. Seco voava rodando o redemoinho alumiado de contra pela luz do curral vazio e já ajeitado pra lida do leite da manhã do outro dia, que haveria de nascer gelado com mato cor de prateado. A lâmpada clareava para forasteiro ter idéia que naquele longe de vizinho habitava morador, e dentro da roda de vento e poeira rodeando pé de árvore, de cachimbo no beiço preto rachado de frio de agosto, rodopiava saci. [Leonardo Soares]
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
com quem será?
2010. setembro, 11.
quando um pescador
de cacos de tempo
e uma cosedeira
de palavras poucas
se encontram
a uma certa altura da vida,
pode nascer uma coisa
meio assim que nem esta.
que venham muitos setembros
fecundar nossos desvãos.
[1 ano. 20 mil acessos.]
sábado, 10 de setembro de 2011
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