textimagens - rosaura soligo

sábado, 29 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

guardiãs do Chico

leonardo soares


Uns dizem que as carrancas das barcas do São Francisco são tão velhas que ninguém lhes sabem a origem. Outros comparam as carrancas com as figuras egípcias, ou fenícias, ou indígenas, ou polinésias e que Deus as guarde em mistério. 
São cabeças erigidas nas proas dos barcos para serem vista e espelhadas pela flor d'água. Não são simples figuras de proa, nem são como as figuras de proa das antigas naus que têm a graça e o limite de um arremate. A carranca se conjuga a todo o barco, que é o seu corpo, à vela mansa em que respira, à vara e ao remo em que anda, aos navegantes que protege e aos espíritos maus que lhe motivam.
A carranca é a visão espelhada de seus duendes que despontam inopinados das margens, do fundo das águas, das nuvens, dos poços, de um caramujo, de um mosquito de febrão, de debaixo de uma saia, de dentro de uma bolsa, de uma carta. É o bojo do rio na proa da barca, destino e doença sobre as águas, insônia e diligência.
São Francisco, rio e santo, são as carrancas vossa guarda?
Clarival do Prado Valladares

sábado, 22 de janeiro de 2011

variações sobre o mesmo tema

http://www.youtube.com/watch?v=je-RTYbzoEk                                                   rosaura soligo




prece de curar pressa

parar para pensar 
parar para olhar
parar para escutar
pensar mais devagar 
olhar mais devagar
escutar mais devagar
parar para sentir 
sentir mais devagar 
demorar-se nos detalhes 
suspender a opinião 
suspender o juízo 
suspender a vontade
suspender o automatismo da ação
cultivar a atenção e a delicadeza
abrir os olhos e os ouvidos 
falar sobre o que nos acontece 
aprender a lentidão 
escutar aos outros 
cultivar a arte do encontro
calar muito 
ter paciência 
e dar-se tempo e espaço. 

[Texto original de Jorge Larrosa | ver comentário]

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

a vida é muito boa!

leonardo soares

inimigos

leonardo soares

O índio Don Juan, que conhecemos pelas mãos de Castañeda, nos ensinou que todo homem tem quatro inimigos grandiosos em sua jornada de conhecimento: o medo, a clareza, o poder e a velhice.
O primeiro, o medo, é terrível, traiçoeiro, difícil de vencer, permanece oculto em todas as voltas do caminho, rondando à espreita. Se o homem fugir apavorado, o medo terá posto fim à sua busca: jamais aprenderá, jamais conquistará conhecimento, porque seu primeiro inimigo terá destruído os seus desejos.
Para vencer o medo, o segredo é não fugir: é preciso ter medo plenamente e desafiá-lo, espantá-lo, fazê-lo recuar.
Estará, então, o homem diante do seu segundo inimigo: a clareza. Essa clareza de espírito, que é tão difícil conquistar, elimina o medo, mas também cega. Obriga-o a nunca duvidar de si. Agora é corajoso, porque adquiriu clareza de espírito, não se intimida diante de nada porque a possui. Um grande engano. Se sucumbir a esse poder de faz-de-conta, o homem terá se deixado vencer.
Para que isso não aconteça, terá que agir com a clareza como agiu com o medo: terá que desafiá-la - e usá-la apenas para ver. Terá que pensar, acima de tudo, que a sua clareza é quase um erro... E virá o momento em que compreenderá que ela é apenas um ponto diante de sua vista. Assim o homem vencerá o seu segundo inimigo e nada mais poderá prejudicá-lo. Isso não será um engano, mas o verdadeiro poder.
Estará agora, então, diante de seu terceiro inimigo: o poder. Esse é o mais forte de todos e, naturalmente, diante dele o mais fácil é ceder - afinal de contas, com poder, o homem torna-se realmente invencível, pode tudo comandar... Começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor.
Para vencer esse terceiro inimigo, também precisará desafiá-lo intencionalmente, e compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade, nunca é seu. Terá que tratar com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu.
E depois dessa batalha difícil, quase sem perceber, encontrará o inimigo mais cruel, porque impossível de derrotar por completo: a velhice. É quando homem sente um desejo irresistível de descansar… Se ceder ao desejo de se afundar-se na fadiga, terá perdido a última batalha e o seu inimigo o reduzirá a uma criatura velha. Seu desejo de sair de cena dominará tudo o que conquistou - a clareza, o poder, a sabedoria. 
Mas se, ao contrário, sacudir a fadiga e viver seu destino plenamente, então poderá ser considerado um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que consegue lutar contra o seu último inimigo invencível: esse momento de clareza, poder e sabedoria é o suficiente!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

nada!

leonardo soares










nada 
do que foi 
será 
igual
ao que 
a gente viu
há um segundo

[Lulu Santos e Nelson Motta]

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

casa da tia

leonardo soares















neste canto
lá nas Minas,
toda vez
que eu vou,
eu aumento
de tamanho,
de história,
de merecimento.