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leonardo soares |
O moço entra na escola com o santinho dobrado, guardado no bolso de trás. Dali a pouco vai pra cabine e põe o santinho à vista, para ampará-lo na escolha. Sai de lá com o papel amassado, metido de novo no bolso. Já não serve mais pra nada, mas não há onde jogar. Liga a noiva e dita a listinha, que ela o conhece bem. Ele ri, que tem papelzinho: pão, leite, café, mortadela, blá, blá... Compra e confere tudo, ajeita a sacola no braço e vai pro ponto esperar. Daí joga a lista na rua que não tem ninguém ali e uma só não há de aumentar. Repara no fim da rua que sobem nuvens ao céu e faz uma prece com fé: que não venham chuvas que inundam, não apareçam bandidos maus, a fome não mais exista, todos tenham casa e trabalho, os filhos sejam felizes, que a vida seja melhor!
[à moda de Julio Cortázar, quando fala do jornal]
Ma-ra-vi-lho-so... Mal começaram e já estão se superando. Beijos
ResponderExcluirRosana
Rô,
ResponderExcluirE você já tinha visto esta foto de estrelas no chão quando escolheu o vídeo do pequeno terreno baldio?
Aí estão os segredos dos poetas.
Que são apagadores de tempo...
Liana
Uma lindeza. Mais uma.
ResponderExcluirRosaura e Leo,
ResponderExcluirQue duplinha do balacobaco hein!!!
Parabéns pela ideia, pelas fotos, pelos textos, pelo fato.
Estou encantada e emocionada com tamanha generosidade: do olhar do Leo pela sensibilidade dos registros e da alma da Rosaura por traduzir isso em textos.
beijos grandes procês.
Lúcia