textimagens - rosaura soligo
domingo, 30 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
o fim do mundo é um buraco sem fundo
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leonardo soares |
A verdadeira (breve) estória
do cemitério mal cheiroso
aflorando
ossos na Grande São Paulo
Morreu jovem,
quase sem dor, escorreu do olho, chovia tristeza. A mãe do mais velho saiu pela
rua, andando depressa, infeliz aperto, comprou camisa, calça, sapato, vestiu o
filho bem vestido, último traje, fato derradeiro. As economias do mês:
geladeira, a prazo, água gelada, luz para todos, flores enfeitando o salão.
Sombria despesa. Boi! Olho brilhoso pasta no pasto, indiferente, galinha cisca
o chão do terreiro, espora de ouro, briga de rinha, oração. Calça azul, jeans
Arizona novo reluz azul do céu de Agosto.
Vigília noturna,
as velas ardendo, fogo preguiçoso, saudade desperta, fundo d’alma, singelo
funeral, chinelo de dedo, sem flores de coroa, sem última canção, sem brasa
cremação, gastos distantes.
Triste desfecho,
ingrata notícia, retrato nuvioso, paisagem decorada, escuro medonho. A lâmina
da Patrol serrou ao meio a sepultura de Jeová, Jonas e o irmão do meio, os
restos mortais ao rés do chão, rostos sem carne, caveira sem expressão,
sorrindo manhã de sol, a roupa envelhecida de tempo pendia da terra vermelha
úmida, calça jeans Arizona enfeitando a cova profunda rabiscada pelo trator da
prefeitura.
Esqueleto
amputado, perna de pano azul, carniça o céu de Francisco, São Paulo, a morte
acordada, sono profundo, derradeiro repouso, despertador de defunto, Prefeito
Kassab, fúnebre varal, cova rasa, osso arado, assombração na encruzilhada do
Capão, alma penada despida flutuando insone na imaginação do leitor do
amaldiçoado periódico da Barão, dos barões, de Limeira, dos brancos burgueses
da gélida capital Paulista. [leonardo soares]
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
domingo, 2 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
sábado, 24 de novembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
pobres ruas
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apu gomes |
Pobres ruas, sempre no seu dorso
o peso
dos corpos, das rodas,
dos líquidos, chorumes
risadas, queixumes.
Dos mortos ainda vivos, dos vivos
já quase mortos
Os rumos, as rotas, os passos.
Humanos, desumanizados
Desgraçados, abastados
Doutores, ambulantes
Surfistas errantes.
Pobres ruas, braços das paradas dos
ônibus
Paradas que, sempre em movimento,
mastigam tormentos, vomitam histórias
ou assuntos repisados.
Pobres ruas condenadas a viver
fora do abrigo
Dando abrigo ao inimigo, à poeira
e ao veneno excretado pelas máquinas
que ferozes as devoram mesmo sem as
engolir.
Pobres ruas mães insones, não
conseguem repousar
E ficam sempre acordadas, não
porque os filhos demorem, mas porque os vê chegar.
Prostitutas, viciados, franciscanos,
exilados.
Bandidos, ladrões, alijados de
afeto e de calor,
de esperança e de respeito, e não
têm outro jeito que não, o de na rua amar,
a tudo que é desprezado, que é
torto que é jogado, no solo, na boca da rua,
que é veia, que é rio, que é viva
e alimenta,
o pesadelo ou o sonho de viver e
de lutar.
Não importa o que escoem, há
sempre um preço a pagar.
Pobres ruas projetadas pra viverem
abertas aos céus
Que se fazem passarelas das
estrelas e do brilho que a lua faz deitar
em seus cantos, becos, prantos
que nelas vem se abrigar.
Pobres ruas, colo da chuva
banhado pela enxurrada,
no final da madrugada sonham de
lado virar
e se entregar ao repouso, sem
gritos, sem latejar.
Mas vem o sol lhes bater, e recomeça
a história que elas têm de escrever
História de muitas vozes
Que não podemos ouvir
Que não conseguimos ler.
[Vilma de Lourdes Campos]
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apu gomes |
terça-feira, 20 de novembro de 2012
terça-feira, 13 de novembro de 2012
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
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